Airton Calmo
Psicanalista, autor e pesquisador
Entre o corpo, a palavra, o símbolo e a experiência humana.
Quem sou
Sou Airton Calmo, psicanalista, autor e pesquisador.
Minha trajetória profissional e intelectual foi construída a partir de diferentes campos de interesse que, ao longo do tempo, deixaram de parecer caminhos separados e passaram a constituir uma mesma investigação: o que significa ser humano?
Sou formado em Odontologia e Ciências Sociais — Antropologia — pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Minha formação em Psicanálise foi realizada pelo IBPC, em Campinas, complementada por especialização em Psicanálise e Psicologia pela FAMEF — Faculdade Metropolitana de Franca.
Recentemente concluí também o curso de Psicologia Analítica Junguiana, na FAMEF.
Esses diferentes percursos não representam, para mim, uma coleção de formações.
Representam diferentes maneiras de aproximar-me das mesmas perguntas.
Do corpo à palavra
Minha trajetória acadêmica não se desenvolveu em linha reta.
Meu primeiro ingresso na universidade aconteceu pela Faculdade de Farmácia da UFRGS, em 1979.
Mais tarde, a Odontologia, também pela UFRGS, tornou-se profissão e acompanhou grande parte da minha vida. Foram décadas de contato cotidiano com o corpo, com a saúde e com aquilo que se manifesta, muitas vezes, antes mesmo de encontrar palavras.
Em outro momento do percurso, as Ciências Sociais e a Antropologia abriram novas possibilidades de olhar para o ser humano: a cultura, os símbolos, os modos de vida e as diferentes formas pelas quais cada sociedade procura compreender a existência.
A Psicanálise introduziu então outra dimensão nessa trajetória: a escuta do sujeito, do inconsciente, do sintoma, do desejo e daquilo que insiste em retornar.
Mais recentemente, a Psicologia Analítica e a investigação do universo xamânico ampliaram ainda mais esse campo de perguntas.
Hoje percebo esse percurso menos como uma sucessão de formações e mais como uma trilha.
As paisagens mudaram, os instrumentos de investigação também, mas permanece uma questão que atravessa todas essas etapas:
o que significa ser humano?
Psicanálise e escuta
A Psicanálise ocupa hoje um lugar central nesse percurso.
Talvez porque, depois de tantos anos olhando para o corpo, para a cultura e para diferentes formas de compreender a experiência humana, tenha se tornado cada vez mais importante aquilo que não se oferece imediatamente ao olhar: a palavra, o silêncio, o sintoma, o desejo e aquilo que insiste em retornar.
Escutar, para mim, não significa apenas ouvir aquilo que alguém diz.
Significa criar condições para que a palavra possa produzir perguntas e para que aquilo que permanece oculto, contraditório ou aparentemente sem sentido possa encontrar uma possibilidade de elaboração.
Sonhos, lembranças, repetições, silêncios, desejos e afetos fazem parte dessa investigação.
A Psicanálise não oferece respostas prontas para a existência. Tampouco pretende substituir a história de cada sujeito por uma explicação previamente estabelecida.
Ela oferece um lugar para que o sujeito possa interrogar aquilo que o constitui — e, pela palavra, encontrar outras maneiras de se relacionar com sua própria história.
Para além das fronteiras de um único saber
A Antropologia ampliou meu olhar para a cultura, os símbolos e as diferentes formas pelas quais os seres humanos constroem sentidos para a existência.
A formação em Psicologia Analítica aprofundou esse interesse, especialmente em relação aos símbolos, aos mitos, às imagens e às dimensões da experiência humana que nem sempre encontram uma explicação suficiente em um único campo de conhecimento.
Paralelamente, venho assumindo de maneira cada vez mais clara uma posição de pesquisa e interlocução com o universo xamânico, particularmente a partir das experiências e dos estudos relacionados à Ayahuasca.
É desse movimento que surge uma expressão que atualmente traduz uma parte importante dessa investigação: Psicanalista Ayahuasqueiro
Não como uma nova modalidade terapêutica, nem como uma resposta pronta para o sofrimento humano.
Mas como uma posição de investigação.
Uma tentativa de estabelecer diálogos possíveis entre Psicanálise, Psicologia Analítica, Antropologia e conhecimentos e experiências vinculados ao universo xamânico, sem apagar as diferenças entre esses campos.
Não se trata de reunir saberes distintos para produzir uma síntese artificial, mas de colocá-los em interlocução e observar o que pode surgir desse encontro.
É justamente nas diferenças, nas aproximações e nas perguntas que surgem entre esses campos que encontro um terreno fértil para continuar pensando.
Na Trilha do Ouvidor
Esse percurso começa agora a ganhar uma forma mais definida em um projeto de pesquisa e escrita que reúne algumas das perguntas que atravessaram minha trajetória:
Na Trilha do Ouvidor
Diálogos possíveis entre Psicanálise e Xamanismo
O título é provisório. A pergunta que o sustenta, entretanto, já está presente.
A figura do ouvidor interessa-me porque remete àquele que se dispõe a escutar antes de concluir, a caminhar antes de afirmar e a permanecer diante do desconhecido sem a necessidade imediata de transformá-lo em resposta.
A trilha proposta pelo projeto passa pelo encontro — nem sempre confortável — entre diferentes formas de compreender a experiência humana. Psicanálise, Psicologia Analítica, Antropologia e Xamanismo partem de lugares distintos, utilizam linguagens próprias e não precisam ser reduzidos uns aos outros para que possam dialogar.
É justamente nesse espaço entre os saberes, entre a palavra e o símbolo, entre o conhecimento e a experiência, que pretendo desenvolver essa investigação.
Não se trata de encontrar uma síntese, mas de sustentar a pergunta.
Talvez seja esse o sentido mais profundo da trilha: caminhar, escutar e deixar que o próprio percurso transforme as perguntas com as quais começamos.
O autor
A escrita acompanha esse percurso.
Escrever é outra forma de escutar.
Nos textos que publico, procuro aproximar Psicanálise, cultura, cotidiano, memória, sonhos, corpo, símbolos, espiritualidade e as experiências que atravessam a vida contemporânea.
Alguns desses textos são ensaios. Outros são crônicas. Alguns nascem de experiências pessoais; outros partem de questões teóricas ou de encontros entre diferentes campos de conhecimento.
Há também textos que simplesmente começam com uma pergunta e seguem seu próprio caminho.
Escrever, para mim, não significa transformar a experiência em uma conclusão definitiva. Significa dar forma às perguntas, acompanhar suas contradições e permitir que elas permaneçam abertas ao pensamento.
É nesse movimento entre experiência, escuta e reflexão que a autoria vai se construindo.
Pensar sem encerrar a pergunta.
Uma casa em construção
Uma casa não se constrói apenas com paredes.
Também se constrói com aquilo que nela acontece: encontros, palavras, silêncios, lembranças, perguntas e histórias que deixam marcas.
Este site nasce dessa mesma perspectiva.
Não pretende ser uma obra concluída, mas um espaço em permanente construção — onde a prática clínica, a escrita, a pesquisa e as experiências que atravessam minha trajetória possam encontrar lugar.
Algumas portas conduzem à Psicanálise.
Outras, aos escritos, aos livros e aos projetos.
Há caminhos já percorridos e outros que ainda começam a se desenhar.
Talvez uma trilha seja justamente isso: não saber exatamente onde ela termina, mas continuar caminhando e escutando o que aparece pelo caminho.
Seja bem-vindo.
Créditos e transparência
Este site foi desenvolvido por Airton Calmo, com utilização de ferramentas de Inteligência Artificial como recursos auxiliares de pesquisa, desenvolvimento textual, edição e composição visual. A orientação conceitual, a seleção, a revisão e as decisões editoriais e autorais são de responsabilidade do autor.
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