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Apresentação do projeto Psicanálise de Frente pro Mar: A Virtualidade como Pórtico e o Oceano como Horizonte

Foto do escritor: Airton Calmo
Airton Calmo
1 de abr.
3 min de leitura

A psicanálise, desde o seu nascimento, sempre foi uma clínica do movimento.

Freud iniciou sua jornada movendo-se das paralisias da histeria para a fluidez da palavra. O projeto Psicanálise de Frente pro Mar propõe um novo deslocamento: a saída das quatro paredes do consultório tradicional em direção à imensidão do Real.

Este dispositivo clínico não é uma terapia alternativa, vai muito além. Trata-se de uma extensão rigorosa do setting analítico, onde o ambiente — seja ele digital ou natural — serve como mediador da escuta e do encontro subjetivo.


O Pórtico Virtual: As Entrevistas Preliminares

Toda grande travessia começa com um primeiro passo, e no mundo contemporâneo, esse passo é frequentemente mediado pela tecnologia. No nosso dispositivo clínico, o atendimento online transcende a esfera de um recurso de distância, é o próprio pórtico de entrada.

As entrevistas preliminares ocorrem no espaço virtual. É neste território digital que se estabelece o primeiro laço transferencial. Através da tela, o analista sustenta a função de escuta, permitindo que o sujeito organize sua queixa e localize seu sofrimento. A modalidade virtual funciona aqui sob a lógica freudiana, que já apontava a tecnologia como uma extensão dos nossos sentidos, permitindo que a palavra circule e o vínculo se fortaleça antes mesmo do encontro pessoal.

Este início virtual garante acessibilidade e um tempo de maturação. É o momento de delimitar o campo de trabalho, onde o analisando, no conforto e privacidade de seu próprio espaço, começa a desvendar as primeiras camadas de sua subjetividade.


A Transição: Do Clique ao Passo

Uma vez estabelecida a base do tratamento e a aliança analítica, o projeto propõe uma transição singular. O dispositivo convida o sujeito a deslocar-se da moldura da tela para a amplitude da paisagem. Essa travessia é personalíssima e ajustada entre analisando e terapeuta respeitando o tempo do sujeito do inconsciente.

A transição para o setting estendido na Praia do Ouvidor (Garopaba-SC) é um rito de passagem. A caminhada pela areia, que antecede a chegada ao rancho de pesca é o tempo preliminar necessário ao afrouxamento de defesas egoicas. O caminhar ritmado e o som das ondas funcionam como um convite à associação livre, preparando o elemento psíquico para o processo analítico que está por surgir.


O Rancho e o Mar: O Setting Extramuros

O ponto de chegada é um tradicional rancho de pesca. Ali, o enquadre se amplia, mas não se dissolve. O mar, em sua vastidão rítmica e profunda, torna-se uma metáfora viva do inconsciente — guardião de tesouros e monstros, sempre em fluxo, impossível de ser dominado.

No rancho, o trabalho analítico espelha o trabalho do pescador: uma tarefa manual, paciente, de remendar redes (as tramas do discurso) e aguardar o que emerge das profundezas. O analista, ocupando o lugar de “Ouvidor”, sustenta a ética da escuta pura, garantindo que o cenário natural potencialize a análise — e não distraia — seja, o processo de individuação ou a confrontação entre o sujeito e o próprio desejo.


Uma Clínica da Presença

O projeto Psicanálise de Frente pro Mar reafirma que a psicanálise acontece onde quer que haja um desejo de saber e uma escuta disposta a acolhê-lo. Seja através da conexão estável da fibra ótica nas sessões iniciais, ou sob a brisa inconstante do litoral catarinense, o objetivo permanece o mesmo: permitir que o sujeito navegue por suas próprias águas, reconhecendo que, embora o mar seja vasto, ele possui bússolas internas capazes de guiar sua travessia.

Seja bem-vindo a este percurso. A jornada começa na tela, mas o horizonte é o mar.


 
 
 

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E-mail: joseairtoncalmo@gmail.com

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airtoncalmo

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Psicanálise para pensar a vida além das respostas prontas.
Autor de Chimarreando com Freud.
Reflexões sobre inconsciente, sonhos, cultura e cotidiano.

© 2026 Airton Calmo — Psicanalista, autor e pesquisador.

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