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Causo #2 da série "Chimarreando com Freud" : O Motor e o Silêncio
Durante quarenta anos, o som da minha vida foi um Sol sustenido. Era o ruído da caneta de alta rotação, aquele zunido metálico que, para o paciente, soa como tortura medieval, mas para o dentista é o som do dever cumprido. Eu sabia precisamente onde a cárie terminava ou onde a resina começava. Havia uma segurança tátil, uma resposta imediata: você intervém, pronto, o problema some. Mas a alma, descobri tarde ou cedo, não aceita obturação. O sujeito desta manhã veio de longe.
Airton Calmo
21 de mar.2 min de leitura


O Nó na Mandíbula e o Nó na Alma
O sujeito entra no rancho com a elegância de quem carrega um piano desafinado nas costas. Ele olha para o Atlântico como se o mar fosse um balancete mensal que ele esqueceu de fechar. — Bonito aqui, doutor. Mas não venta demais? — pergunta ele, ajeitando o terno que parece dois números menor do que a sua ansiedade. — O vento ajuda a levar o que a gente não consegue engolir — respondo, enquanto ajeito a cuia. O som da bomba roncando no final do mate é o meu único instrumento d
Airton Calmo
15 de mar.2 min de leitura
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