Perversão Profissional?
Atualizado: 6 de mar. de 2023
Esta postagem está sendo redigida no momento em que se encontra pulsante na sociedade a indignação sobre o caso de violência sexual protagonizado por um médico anestesista.
Surge agora a noticia que ele ainda ganhou milhares de seguidores nas redes sociais após ser preso em flagrante na segunda-feira (11/7) pelo crime de estupro de uma gestante durante uma cesariana.
É possível identificar no comportamento deste médico algo característico de uma estrutura clínica bem conhecida em Psicanálise e,descrita dentro de um quadro de psicopatologia percorre toda a obra de Freud. E está presente também ao longo da obra de Lacan: a Perversão.
A Perversão configura uma das estruturas clínicas em Psicanálise, juntamente com Neurose e Psicose.
Mas, a Perversão também caracteriza toda forma de desejar. Todo desejo é perverso, afinal geralmente desejamos o proibido. O proibido da relação incestuosa, o proibido da transformação do “outro” em objeto sexual a revelia de sua vontade, típico da ação perversa. Isso explicaria os milhares de insanos seguidores do tal médico.
A perversão aparece como conceito no primeiro momento da obra de Freud no trabalho revolucionário chamado "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade”, onde o autor apresenta algumas ideias inovadoras. Podemos destacar: a sexualidade infantil; a sexualidade pulsional; a disposição perversa polimorfa e a máxima que afirma que: a neurose é o negativo da perversão.
Freud inscreve o processo sexual perverso no desenvolvimento normal da sexualidade humana e aponta os sintomas neuróticos como resultado do recalcamento dos componentes pulsionais da sexualidade.
O recalcamento das pulsões, processo que comumente acontece na neurose, não ocorre no individuo com disposição perversa.
A perversão aponta para uma forma de recusa de introjeção da Lei, das regras sociais, da castração a que todos nós nos submetemos para ingressar na cultura.
Entretanto, diferente do psicótico, o perverso sabe da Lei, até finge que a cumpre, mas, sempre que possível e quando se sente livre do julgamento público dá um jeito de burlar a interdição.
Não é incomum o individuo perverso ocupar posições sociais que lhe possibilite avançar sobre as interdições. É o caso deste médico que se apresenta na sociedade como um cidadão ao mesmo tempo em que, literalmente, “por baixo dos panos” dá vazão a sua Perversão.
Infelizmente, esse fenômeno não é singular e, volta e meia estaremos esbarrando no noticiário com situações semelhantes.




Comentários