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A Esquina do Mal-Estar: O Império Farmacêutico e a Sedação da Subjetividade
Quem caminha pelos cruzamentos de qualquer grande cidade brasileira, e mais recentemente nas pequenas também, depara-se com uma curiosa arquitetura do capital: nas esquinas onde outrora habitavam cafés, livrarias ou o comércio de bairro, hoje se erguem templos de luz branca e prateleiras infinitas. A proliferação das grandes redes de farmácias não é apenas um fenômeno imobiliário ou econômico; mostra a manifestação física de um projeto de sociedade que busca silenciar o suje
Airton Calmo
27 de mar.3 min de leitura


Causo #2 da série "Chimarreando com Freud" : O Motor e o Silêncio
Durante quarenta anos, o som da minha vida foi um Sol sustenido. Era o ruído da caneta de alta rotação, aquele zunido metálico que, para o paciente, soa como tortura medieval, mas para o dentista é o som do dever cumprido. Eu sabia precisamente onde a cárie terminava ou onde a resina começava. Havia uma segurança tátil, uma resposta imediata: você intervém, pronto, o problema some. Mas a alma, descobri tarde ou cedo, não aceita obturação. O sujeito desta manhã veio de longe.
Airton Calmo
21 de mar.2 min de leitura


A nova febre das canetas injetáveis e o retorno do mal-estar
Atualmente estamos assistindo uma transformação silenciosa, e estrondosa ao mesmo tempo, na forma como a sociedade lida com o corpo, o peso e o desejo de emagrecer. As chamadas “canetas emagrecedoras”, baseadas em substâncias como a semaglutida, deixaram de ser um recurso médico restrito e passaram a ocupar o centro de uma nova cultura do emagrecimento. Em 2025, seu consumo cresceu 88%, movimentando bilhões e alterando inclusive o cenário de tratamentos tradicionais. Paralela
Airton Calmo
19 de mar.3 min de leitura


O Nó na Mandíbula e o Nó na Alma
O sujeito entra no rancho com a elegância de quem carrega um piano desafinado nas costas. Ele olha para o Atlântico como se o mar fosse um balancete mensal que ele esqueceu de fechar. — Bonito aqui, doutor. Mas não venta demais? — pergunta ele, ajeitando o terno que parece dois números menor do que a sua ansiedade. — O vento ajuda a levar o que a gente não consegue engolir — respondo, enquanto ajeito a cuia. O som da bomba roncando no final do mate é o meu único instrumento d
Airton Calmo
15 de mar.2 min de leitura


Do consultório ao horizonte: uma nova jornada de escuta.
Após quatro décadas dedicadas à Odontologia, onde a precisão técnica era minha bússola, inicio oficialmente minha transição para o exercício pleno da Psicanálise. Nesse percurso, percebi que a dor que chega ao consultório muitas vezes não cede ao tratamento clínico, pois sua raiz não é biológica, é subjetiva. Para marcar essa nova fase, lanço a série "Chimarreando com Freud" . Trata-se de um projeto de escrita que une a experiência de 40 anos de clínica com a leveza da crônic
Airton Calmo
14 de mar.2 min de leitura
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